Lucros bilionários, fechamento de postos de trabalho e o desmonte do atendimento bancário

O impacto das demissões no setor bancário

No último ano, o setor bancário brasileiro enfrentou um período adverso, especialmente com a perda de postos de trabalho. Apesar de o mercado de trabalho em geral ter mostrado uma leve recuperação, com a geração de 1,28 milhão de empregos formais, o setor bancário destacou-se pelo caminho oposto, evidenciando um crescimento negativo em termos de emprego. O relatório da Pesquisa do Emprego Bancário do Dieese revelou que entre janeiro e dezembro de 2025, um total de 8.910 postos de trabalho na área bancária foi encerrado.

Esse cenário de demissões pode ser analisado através de uma perspectiva histórica, mostrando uma clara tendência de redução no número de empregos no setor. Desde o início de 2020, aproximadamente 26 mil empregos bancários foram extintos, uma diminuição alarmante que perpetua um ciclo de enxugamento de mão de obra, mesmo em um setor que continua a registrar lucros substanciais. O saldo de 2025 não foi ainda mais negativo devido a uma leve criação de postos pela Caixa Econômica Federal, que adicionou 1.185 vagas ao longo do ano, mas isso não diminui a gravidade da situação.

Demissões em massa: uma constante

O Estado de São Paulo, em particular, sofreu um impacto significativo com o fechamento de 3.580 vagas só em 2025, sendo 2.563 delas localizadas na capital. A situação agravou-se especialmente em setembro de 2025 com as demissões em massa promovidas por um dos maiores bancos do país, o Itaú, gerando uma onda de protestos e mobilizações por parte do Sindicato dos Bancários. Os trabalhadores expressaram insatisfação com a falta de diálogo das instituições financeiras e a crescente pressão sobre a saúde mental e física dos funcionários ainda empregados após as demissões.

desmonte do atendimento bancário

Recuperação econômica versus fechamento de agências

Paradoxalmente, enquanto a economia brasileira mostra sinais de recuperação, as instituições financeiras continuam a fechar agências e demitir, evidenciando uma contradição na abordagem do setor em relação à sua responsabilidade social. Em 2025, os três maiores bancos privados do Brasil, Itaú, Santander e Bradesco, obtiveram lucros combinados de R$ 87 bilhões, um aumento de 16,4% em comparação ao ano anterior, enquanto simultaneamente promoviam o fechamento de agências. Esses bancos têm feito a transição do atendimento presencial para plataformas digitais, ignorando a necessidade de atendimento humano e acessível para boa parte da população.

Os lucros obscenos dos bancos

A realidade é clara: as instituições financeiras estão priorizando a maximização do lucro a curto prazo, mesmo em detrimento do bem-estar de seus colaboradores e da população em geral. Os dados do Banco Central confirmam essa tendência alarmante, com a eliminação de 1.600 agências bancárias em 2025, o que representa aproximadamente 31 fechamentos por semana. No Estado de São Paulo, 649 agências encerraram atividades, com 271 na capital. Esse fenômeno se traduz em maior exclusão bancária, dificultando o acesso ao crédito, especialmente para grupos vulneráveis como idosos, pequenos comerciantes e cidadãos de baixa renda que dependem do atendimento pessoal.



A exclusão bancária e suas consequências

A exclusão bancária é uma preocupação crescente, pois a falta de acesso a serviços financeiros impacta negativamente a qualidade de vida e as oportunidades econômicas de milhões de brasileiros. Muitos enfrentam dificuldades em acessar crédito e serviços bancários, o que prejudica a capacidade de gerir suas finanças de maneira eficiente. Essa exclusão acentuada compromete a participação de grupos desfavorecidos na economia, perpetuando um ciclo de desigualdade que é difícil de quebrar.

Alternativas ao atendimento presencial

Embora a digitalização dos serviços bancários tenha se acelerado, é essencial ressaltar que muitas pessoas ainda preferem e necessitam do atendimento presencial. O público busca um vínculo humano, orientação e suporte que muitas vezes não podem ser fornecidos de maneira eficaz por plataformas digitais. Com as crescentes demissões e o fechamento de agências, é imprescindível repensar o modelo de negócios que está sendo implementado no setor financeiro. As cooperativas de crédito, por exemplo, oferecem alternativas que combinam tecnologia com atendimento humano e podem apoiar a inclusão financeira.

A luta dos trabalhadores bancários

Defender os empregos no setor bancário é indiscutivelmente defender o direito do povo a um atendimento digno e humano. mais do que isso, é um movimento em favor da saúde e segurança dos trabalhadores, que têm sido forçados a lidar com uma carga de trabalho crescente e expectativas elevadas em um ambiente cada vez mais hostil. É necessário que os trabalhadores se mobilizem contra essa precarização, estabelecendo uma resistência organizada que reivindique a manutenção de condições de trabalho justas e acessíveis para todos.

O papel dos sindicatos na defesa dos empregos

Os sindicatos desempenham um papel vital na defesa dos direitos dos trabalhadores e na luta por melhores condições de trabalho. A mobilização sindical tem sido fundamental para enfrentar as demissões em massa no setor e assegurar que a questão da responsabilidade social das instituições financeiras seja amplamente discutida e cada vez mais levada em consideração. A luta por empregos e por um atendimento que considere o cidadão deve ser central na agenda dos sindicatos, promovendo diálogos abertos com as instituições sobre o impacto de suas demissões e fechamento de agências na sociedade.

O futuro do setor bancário

O futuro do setor bancário deve, idealmente, equilibrar a busca por lucro com uma responsabilidade social mais consciente. A transição para um modelo de negócios que respeite tanto o colaborador quanto o cidadão é fundamental para assegurar a sustentabilidade do setor. Isso pode incluir a reabertura de agências e a oferta de serviços que considerem as necessidades reais da população, reconhecendo que a presença humana é vital para a construção de um sistema financeiro que sirva de maneira eficaz e equitativa.

A relação entre lucro e responsabilidade social

A pergunta que persiste é: até quando o setor financeiro continuará a acumular lucros bilionários sem responder a sua função social? O aumento constante nos lucros não deve, de maneira alguma, ser dissociado de uma responsabilidade ética e social para com a população. As instituições financeiras têm o dever de garantir não só a viabilidade de seus negócios mas também de contribuir para a estabilidade social e econômica do país. A luta por uma indústria bancária responsável e que recolha os benefícios da sociedade deve ser vista como central na reconstrução da confiança entre os bancos e cidadãos.