Campanha Nacional denuncia fechamento de quase 100 mil postos de trabalho e cobra suspensão das demissões

O Cenário Atual do Mercado de Trabalho

Nos últimos anos, o setor bancário tem enfrentado transformações significativas, resultando na perda de quase 100 mil empregos e no fechamento de aproximadamente 10 mil agências em um período de 11 anos. Esses números alarmantes foram o foco principal das reivindicações do Comando Nacional dos Bancários durante a segunda rodada de negociações da Campanha Nacional de 2026. Os representantes dos trabalhadores exigem que a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) interrompa as demissões e o fechamento de agências, ressaltando que tal política não só compromete o emprego, mas também deteriora as condições de trabalho e limita o acesso da população aos serviços bancários.

Impacto do Fechamento de Agências

Dados recentes do movimento sindical indicam que, entre 2015 e maio de 2026, os bancos eliminaram 93,3 mil postos de trabalho e fecharam cerca de 9,5 mil agências, resultando em uma redução de 42% na rede de atendimento presencial. Este cenário revela que, em média, aproximadamente 30 agências eram encerradas semanalmente nesse período. O fechamento das agências não apenas prejudica os trabalhadores, mas também torna os serviços bancários menos acessíveis para a população, especialmente nas regiões mais carentes.

Reivindicações do Comando Nacional

O Comando Nacional dos Bancários tem insistido na necessidade de suspensão das demissões e do fechamento de agências durante as negociações coletivas. Entre suas demandas estão o término das terceirizações nas atividades bancárias, o retorno das homologações nos sindicatos, indemnizações adicionais em caso de demissões, a criação de um banco de talentos para a categoria, e proteção especial para mulheres que são vítimas de violência doméstica. Essas reivindicações visam não apenas preservar os empregos, mas também dignificar as condições dos trabalhadores no setor bancário.

Desemprego e Exclusão Financeira

O fenômeno das demissões em massa no setor financeiro agrava a exclusão financeira. Este problema se torna ainda mais evidente quando se considera que entre 2020 e maio de 2026, as mulheres constituíram 79% das vagas eliminadas, resultando em 25,5 mil postos de trabalho extintos. A participação feminina na categoria também diminuiu, caindo de 49% para menos de 47% entre 2024 e 2025, o que compromete as conquistas anteriores em políticas de igualdade de oportunidades. Assim, o fechamento de agências e as demissões não afetam apenas os trabalhadores, mas também a sociedade como um todo, intensificando a desigualdade de gênero e o acesso aos serviços financeiros.

Política de Redução de Pessoal

Os dados demonstram que o setor bancário está em contraciclo à economia brasileira. Enquanto o país experimentou uma significativa criação de empregos formais, com mais de 5 milhões de novas vagas desde 2023, os bancos continuam a seguir uma política de redução de pessoal. Apenas no último ano, as instituições financeiras de maior porte, incluindo Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, eliminaram coletivamente mais de 15 mil postos de trabalho. O Comando Nacional considera isso um exemplo claro de demissão em massa, que impacta a qualidade dos serviços e a capacidade de atendimento ao público.



Consequências para as Mulheres no Setor

A realidade das demissões no setor bancário tem um impacto desproporcional sobre as mulheres. A cifra de 79% de participantes femininas entre os postos de trabalho eliminados reflete não apenas uma crise econômica, mas uma emergência de gênero. Este fenômeno contribui para uma acentuada redução da participação das mulheres no mercado financeiro, resultando em uma queda preocupante na representatividade feminina. Isso não apenas compromete os avanços em igualdade de gênero, mas também reduz as oportunidades de crescimento e desenvolvimento na carreira de muitas profissionais do setor.

O Papel da Digitalização e da Tecnologia

Enquanto os bancos fecham agências e demitem funcionários, também observamos um aumento de lucros. Somente em 2025, as cinco maiores instituições financeiras do Brasil relataram um lucro líquido de R$ 124 bilhões. Isso traz à tona questões sobre se os ganhos de produtividade advindos da digitalização e do avanço tecnológico estão sendo adequadamente compartilhados com os trabalhadores e se esses desenvolvimentos estão melhorando os serviços prestados à sociedade.

A Resposta da Fenaban às Solicitações

Durante as negociações, a Fenaban não concordou com diversas solicitações, incluindo a interrupção das demissões e o fechamento de agências. Além disso, foram rejeitadas propostas para garantir estabilidade das funcionárias vítimas de violência doméstica e para oferecer indenizações extras em caso de demissões. No entanto, a Fenaban sinalizou que está disposta a analisar algumas sugestões relacionadas ao retorno das homologações nos sindicatos e à ampliação das atividades de capacitação em tecnologia e à criação de um banco de talentos.

Próximas Etapas da Campanha Nacional

A continuidade das negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026 está programada para os próximos dias, com mesas agendadas para discutir temas essenciais, como igualdade de oportunidades, endividamento e monitoramento em 16 de julho; saúde e condições de trabalho em 21 de julho; e, finalmente, remuneração e cláusulas econômicas em 30 de julho. Essas discussões são fundamentais para moldar o futuro do trabalho no setor bancário e garantir que as necessidades dos trabalhadores sejam ouvidas.

Mobilização e Participação da Categoria

Para enfrentar as propostas negativas e garantir que as reivindicações sejam atendidas, a mobilização da categoria é imprescindível. A participação dos trabalhadores nas plenárias, reuniões e outras atividades da Campanha Nacional é vital para fortalecer a luta em prol do emprego, da qualidade do atendimento e dos direitos da categoria como um todo. O engajamento ativo dos bancários e bancárias é a chave para pressionar por mudanças efetivas e sustentáveis no setor financeiro.